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Um olho no Pacheco Pereira, outro no cigano

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No ano passado, em “A burka de Pacheco Pereira”, já havia reagido ao desconhecimento do comentador profissional sobre a sociedade francesa, desconhecimento este que o condenara a uma visão redutora dos muçulmanos.

No artigo “Da burka ao colete de explosivos” JPP utilizava como argumento de autoridade ter estado recentemente num país europeu. Este argumento do “eu sei porque passei por lá” não lhe é próprio, nas últimas semanas saltaram do chapéu um número impressionante de ilustres especialistas dos bairros periféricos de Lisboa que afirmam conhecer a Cova da Moura porque lá deram uma vez um salto para comer uma cachupa, tornando a Cova da Moura na atração turística mais badalada, mais in, mais the place to be do ano.

Ora, no seu mais recente artigo de opinião de dia 24 de Julho, no Público, “Trump e os ciganos” – versão requentada do que já tinha proferido na Quadratura do Círculo de dia 20 de Julho – o cronista volta a dar voz ao seu desconhecimento, afirmando que não aprende nada com a extrema-direita francesa mas com Trump. No entanto, engana-se, pois teria muito a aprender com o FN e com a maneira como os outros partidos geriram o seu sucesso, porque se olhasse para mais perto e não se perdesse no outro lado do Atlântico a ver a Fox News, não confundiria o FN de Marine Le Pen com o do pai, e sobretudo não faria os mesmos erros de análise (voluntários ou não) já feitos, há muito, pela Direita francesa de Sarkozy & Co. utilizando, exatamente, os mesmos argumentos:

– Denúncia do politicamente correto;

– Defesa da palavra “descomplexada” (exprimir em público o que o povo pensa em privado e tem medo de dizer);

– Mistura entre liberdade de expressão e aceitação da linguagem racista, homofóbica ou misógina;

– Construção de uma retórica criadora de um fantasioso problema nacional envolvendo comunidades que representam uma parte minoritária da população, utilizando como exemplos situações pontuais ou circunscritas;

– Culpabilização de supostos modos de vida dessas comunidades;

– Instrumentalização da luta feminista como encobrimento da islamofobia/ciganofobia.

É necessário avisar o José Pacheco Pereira que a estratégia de Sarkozy & Co. para arrecadar os votos dos eleitores do FN falhou, porque se esqueceram que o povo prefere sempre o original à cópia e que quem lucrou com esses erros foi precisamente a extrema-direita. Hollande, Valls & Co. também queimaram as asas neste jogo que JPP acabou de descobrir. O que estes assessores, acredito que involuntários, da extrema-direita fizeram foi simplesmente abrir a caixa de Pandora.

O “politicamente correto” é a fina fronteira que permite, nomeadamente na esfera pública, um respeito mínimo em relação ao Outro. Como dizia Marguerite Yourcenar, em Memórias de Adriano, “Le masque devient visage.” Ora o politicamente correto é pedagógico, e pode acabar por resultar na passagem da máscara à cara, e o mesmo é inversamente válido, libertar a palavra racista, é deitar abaixo o último limite entre a decência e a selvajaria civil. Foi o que aconteceu no Reino Unido e nos EUA: durante a campanha do referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE e sobretudo após a vitória do campo do Brexit os crimes de ódio aumentaram de 49% em relação ao mês anterior, verificando-se o mesmo fenómeno após a vitória de Trump com a multiplicação de manifestações de provocação dos supremacistas brancos.

Ana Gomes, eurodeputada, afirmou há alguns meses numa conferência em Paris que no Parlamento europeu a presença crescente da extrema-direita e o seguidismo da sua agenda, inclusive, por parte da Esquerda é inédita. Segundo Ana Gomes ouvem-se declarações que seriam impensáveis há alguns anos e sobretudo existe uma inércia gritante por parte das outras forças políticas. A “linguagem patrulhada” que JPP denuncia não está a ser a regra, é sobretudo a palavra descomplexada, populista, racista, homofóbica à la Le Pen, Sarkozy, Trump, Ventura ou Gentil Martins que se está a propagar. E o comentador está a participar, mesmo se involuntariamente, de forma ativa nesta ascensão do populismo. Ele é parte integrante deste movimento, ao não condenar de forma clara as declarações racistas de André Ventura banalizando-as e defendendo, ainda por cima, que “ele até tem alguma razão”.

JPP admite o óbvio na Quadratura do Círculo, ele não convive com ciganos, mas esquece-se de dizer que não convive ele nem a maioria dos portugueses, pois os cidadãos de etnia cigana não representam mais de 0,5% da população. Mais uma vez, Pacheco Pereira faz afirmações baseadas no “ouvi dizer” e participa na campanha de criação de um falso problema nacional com os ciganos. O que resultará no mesmo que aconteceu em França, pois são as populações que menos vivem com muçulmanos que mais votam FN e são as pessoas que vivem em ambiente multicultural que menos votam na extrema-direita. Ou seja, o voto racista é, muitas vezes, baseado em projeções, em medos fantasiosos, em receios resultantes de declarações como as de JPP que afirma que há aqui um problema que não deve ser silenciado e que, claro, ele tem coragem de denunciar.

JPP acaba o artigo com a técnica de diversão conhecida… “então e as meninas ciganas?” Dizendo que a esquerda não faz um centésimo dos protestos indignados sobre a condição das mulheres, e eu pergunto ao comentador feminista onde está a sua indignação contra o racismo? Porque prefere desculpabilizar as palavras racistas do seu camarada de partido e dar enfâse às “situações inaceitáveis que são permitidas a um número significativo de ciganos”?

Estamos todos de acordo, ninguém está acima da lei, mas também ninguém deveria estar abaixo. A linha vermelha não está em calarmos situações inaceitáveis que são impostas a um número significativo de ciganos. Afinal, quem quer silenciar quem?

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Ser ou não ser gay…

Eu, por acaso, não sou lésbica. Digo por acaso porque a orientação sexual de cada um é um dado puramente aleatório e não uma escolha contingente, um atributo hereditário ou uma maldição divina. Mas a causa LGBT é uma causa universal que a todos diz respeito pois convoca, entre outras, questões fundamentais como a igualdade e a liberdade.

François Hollande, em reação ao ataque de Orlando da semana passada, que custou a vida a quarenta e nove pessoas numa discoteca gay, tweetou a seguinte frase “A terrível matança homófoba de Orlando agrediu a América e a liberdade. A liberdade de escolher a sua orientação sexual e o seu modo de vida.” Prontamente, um zeloso conselheiro avisou a Presidência francesa que “ai espera lá, que isto de ser gay não é uma questão de escolha!”. O Presidente foi sensível aos argumentos e modificou o comunicado. É preciso saber que, num primeiro tweet, Hollande tinha olvidado de mencionar o caráter homofóbico do ataque e só à terceira tentativa, após ter escorregado no segundo tweet, é que acertou com a mensagem.

Em Portugal, António Costa, foi aplaudido pelo seu tweet, pois ao contrário de outros líderes políticos mundiais, inclusive o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, o Primeiro-ministro fez de imediato, sem ambiguidades, referência ao caráter homofóbico do massacre: “A homofobia feriu de morte a liberdade, em Orlando e no mundo. Ser livre também é poder escolher quem se ama. A liberdade vencerá o ódio.” E no entanto, encontramos aqui de novo, a problemática da escolha. Ora, a questão central da liberdade, no que à orientação sexual diz respeito, não é propriamente a de poder escolher quem se ama, mas a de se poder ser quem se é. Estamos perante uma profunda questão de identidade e não de contextuais preferências. E é precisamente nesta questão da identidade que poderemos, porventura, encontrar uma das respostas possíveis à questão colocada por várias vozes mediáticas, nomeadamente a do Daniel Oliveira num artigo do Expresso, de dia 14 de junho, “Eu fui Charlie e não sou gay?   Continue reading Ser ou não ser gay…

Não digam que não sabiam

Os média andam em alvoroço porque o fascista-entertainer-milionário Donald Trump fez a proposta indecente de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA.

« Chez nous » também temos direito a estes belos cartazes do FN nas ruas e túneis de França, mas as reacções não são tão comovidas.

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Sarkozy afirmou até que não havia nada de imoral em votar FN. E não faz a distinção entre um partido republicano como o PS e um neo-fascista como o FN e faz ainda, como muitos outros, a amálgama grotesca e grosseira entre a extrema-esquerda, que sabemos defende o cosmopolitismo, e a extrema-direita que o abomina.

Ora,

Basta de desculpabilizar os eleitores do FN!

Basta de dizer que é um voto de protesto!

Basta de dizer que são pessoas desnorteadas e outros qualificativos paterno-relativistas!

Querem protestar votem no PG, no PCF, no NPA, nos Verdes, no Modem, no PRG, no Nouvelle Donne, no Parti Pirate, votem em branco ou abstenham-se e não digam que não sabiam que estavam a votar num partido racista e fascista.

Apesar da campanha de cosmética das Le Pen filha e sobrinha, a verdadeira natureza está à mostra e é assumida!

Continue reading Não digam que não sabiam

YES SHE CAN

Há pouco mais de um ano tive o privilégio de falar brevemente com o atual Primeiro Ministro (que prazer escrever isto!) António Costa sobre a questão da « representação da diversidade » na política em Portugal. Disse-lhe que ele era um bom exemplo mas que carecíamos de mais figuras da diversidade, sublinhando a importância dessas figuras para os jovens nos « bairros ».

Eu fui uma dessas « jovens de bairro » que, como tantas e tantos outros, pensava não poder  atingir as minhas aspirações por causa da minha condição económica, por causa da minha cor/origem e por ser mulher. Fui, como tantas e tantos outros vítima de racismo, mas e para o que nos interessa aqui, vítima da autocensura, de limites que me impus a mim própria. Para quebrar essa barreira foi necessário, entre outros fatores, ter exemplos, foi necessário o processo de identificação, esses exemplos vieram de pessoas como Luther King, Mandela, Rosa Parks, Obama, Christiane Tubira, Aimé Césaire, entre outros.

Por isso congratulo-me, duplamente, de ver a primeira mulher negra ministra em Portugal. O seu currículo não deixa qualquer dúvida sobre a sua competência, a sua escolha é um sinal forte para todos aqueles que pensam não ter a cor, o género ou a orientação sexual certa para realizarem aquilo que desejam. Francisca Van Dunem fará o seu trabalho como Ministra da Justiça mas o seu exemplo irá mais longe que as suas incumbências.

Francisca Van

Uma das  piores consequências da discriminação, do racismo, é a autocensura que se insinua nos nossos cérebros e que nos entorpece as pernas no caminho a percorrer.

Bem hajam os pioneiros, que tiveram coragem e lutaram pelos seus próprios sonhos, e pelos sonhos dos outros, tornando-se assim num exemplo positivo e construtivo.

Dito isto, muito resta a fazer, a representação é um dos pilares da integração, da igualdade e da plena cidadania, sabemos que muitos outros fatores entram em linha de conta nestas questões complexas, mas para já…

…Parabéns à nova Ministra e ao inovador Primeiro Ministro!

Os donos do terreno

http://next.liberation.fr/musique/2015/10/23/a-lisbonne-le-rythme-est-dans-l-afro_1408412

Ainda me lembro, no início dos anos 90, da minha surpresa no dia em que um « amigo branco » no Bairro da Serafina me perguntou se tinha música de pessoal negro para lhe emprestar. Perguntei-lhe se ele estava a falar de música estilo Michael Jackson ou Prince e ele respondeu « não música do teu pai, música africana, funaná, kuduro… », anos mais tarde estes estilos de música « democratizaram-se » em Portugal.

A presença cultural africana em Portugal deu um salto estimável e ao contrário do que afirma o subtítulo do artigo, só conheço « misturas » entre negros e brancos.

No entanto…

…há um trabalho colossal a ser feito para o reconhecimento da influência africana na cultura e identidade portuguesa ;

…há um trabalho colossal a ser feito para a representatividade dos Portugueses de origem africana nos media e na política (ex. quantos deputados de origem africana têm assento no parlamento ?) ;

… há um trabalho colossal a ser feito contra o racismo estrutural e institucional e ainda contra o racismo ordinário, que ainda tanto me choca quando o oiço nas ruas e cafés, em Portugal.

Quase tudo resta a fazer, não somente no que diz respeito aos direitos, à integração ou à representatividade dos Portugueses de origem africana, mas a todos aqueles que saem do imaginário coletivo do que é ou deve ser um perfeito cidadão em Portugal em termos de cor, origem, nacionalidade, orientação sexual, género ou condição física/mental.

Os « donos do terreno » (perdão aos Buraka)  ainda são aqueles que viram a cara para não ver que vivem num país mestiço e diverso, cabe-nos a nós fazer barulho (ou música !) para lhes engrandecer o campo de visão!

Portugueses em França unidos contra a extrema-direita

MANIFESTE

PORTUGAIS ET D’ORIGINE PORTUGAISE en FRANCE

UNIS CONTRE L’EXTRÊME-DROITE

Lien vers le manifeste Unis contre l’extrême-droite à signer

Citoyens portugais ou d’origine portugaise résidant en France, nous voulons exprimer notre profonde inquiétude face à la montée de l’extrême droite en Europe, notamment en France. Nous manifestons notre désaccord avec des propos, des idées ou des actions qui vont à l’encontre des valeurs de la République qui sont la liberté, l’égalité et la fraternité.

Nous sommes issus d’une histoire longue et douloureuse de dictature et nous avons été accueillis dans ce pays, comme tant d’autres individus de différentes origines, tout en contribuant ensemble au développement de la France. Nous avons, par ailleurs, été nombreux à emprunter les chemins de l’immigration clandestine, pointés du doigt aujourd’hui par l’extrême droite. Nous sommes tous immigrés ou fils d’immigrés, raison supplémentaire pour porter haut et fort les valeurs de solidarité, de fraternité et d’ouverture à l’autre.

Nous devons absolument dire « NON » à toute forme de DISCRIMINATION, de NATIONALISME, de REPLI SUR SOI, propres aux théories de l’extrême droite. Nous défendons que ces différentes origines sont un atout, une richesse pour la France dans son ensemble et non un problème.

Les raisons et les responsabilités de cette montée de l’extrême droite sont multiples et transversales, il est ainsi plus que jamais nécessaire de mener un travail profond et volontaire de réflexion et de débat citoyen sur ces questions.

Nous saluons l’engagement politique et citoyen de nos compatriotes qui votent, qui s’investissent dans la vie de leur pays d’accueil ou de naissance et nous appelons tous à FAIRE FRONT FACE À L’EXTRÊME DROITE ; à défendre et à être fiers de cette richesse qui est la diversité, résultat de nos différences.

Unis, faisons front contre l’extrême droite !

Premiers Signataires

Abílio Laceiras (Militant associatif, Syndicaliste,Correspondant du Jornal do Fundão)

Alda Pereira Lemaitre (Ancienne Maire de Noisy le Sec, Dirigeante politique)

Ana Antunes (Chercheuse)

Ana Filipa Roseira (Sociologue)

Ana Furtado (Consultante marketing)

Ana Martins (Assistante sociale)

Ana Pires Silva (Enseignante du EPE)

Anna Martins (Présidente de Cap Magellan)

Arthur Silva (Journaliste)

Augusto Duarte Rozeira de Mariz (Économiste)

Aurélio Pinto (Consultant)

Candida Leconte (Consultante)

Carla Guerreiro (Traductrice et formatrice de Portugais)

Carla Marques (Psychologue)

Carlos Manuel Pinto Ferreira (Ingénieur Génie Civil / Directeur de Travaux entreprise de Batiment)

Carlos Gonçalves (Député au Parlement portugais)

Carlos Pereira (Journaliste)

César Bandeira Martins (Commerçant gérant à Café du Château)

Christophe Fonseca (Réalisateur)

Christopher Pereira (Secrétaire de Casa Amadis – Association culturelle lusophone de Montpellier)

Cristina Semblano (Économiste, Professeur d’économie portugaise à la Sorbonne et conseillère municipale en région Parisienne)

Daniel Alfarela (Photographe)

Emilia Ribeiro (Dirigeante associative)

Hermano Sanches Ruivo (Conseiller Général du département de Paris, 75)

João dos Santos Silva (Syndicaliste FO, Administrateur du Comité National Aristide Sousa Mendes)

João Heitor (Libraire-éditeur)

Joëlle Nascimento (Chef d’entreprise, Fondatrice de PortugalinBox)

José Crespo (Dirigeant associatif, électricien)

Léocadia Dias (Dirigeante associative, membre fondateur de l’AAJS- Les amis de Jorge Semprun)

Luciana Soares Gouveia

Luís Ferreira (Impresario secteur Monuments de la Région Île de France)

Luísa Semedo (Chercheuse en Philosophie Politique et Éthique, Enseignante universitaire)

Manuel do Nascimento

Manuel Fernandes (Retraité)

Manuel Pinto (Monteur Cinéma)

Maria-Benedita Basto (Maître de Conférences, Université Paris-Sorbonne)

Maria Fernanda Pinto (Retraitée L.P.N.H.E. de l’École Polytechnique de Paris, Présidente de la GAPP)

Maria João Pita (Architecte)

Marie-Hélène Euvrad (Maire-Adjointe, Dirigeante associative)

Marina Claro (Étudiante M2 Diplomatie et négociations stratégiques, Université Paris-Sud)

Mário Barroso (Réalisateur)

Mário Cantarinha (Photographe)

Miguel Costa (Fonctionnaire dans le Consulat Général du Portugal à Paris)

Miguel Magalhães ( Fundação Calouste Gulbenkian, Adjoint au Directeur)

Nathalie de Oliveira (Maire Adjointe à Metz)

Nelson De Jesus (Ingénieur, Président de l’association LusoPoissy)

Nuno Gomes Garcia (Écrivain, Consultant littéraire)

Parcídio Peixoto (Dirigeant Associatif, Conseiller des Communautés Portugaises)

Pascal Saraiva (Blogger no Luso Sounds)

Paulo Pisco (Député au Parlement portugais)

Pedro da Nóbrega (Dirigeant associatif historien)

Pedro Vaz (Fondateur et gérant d’entreprise)

Philippe Malheiro (Président de l’association Alegres Do Norte, Fonctionnaire)

Raul Lopes (Dirigeant politique, activiste associatif, Présidente de l’APCS – Association des Portugais du Cœur de Seine)

Rosa Maceira (Adjointe au Maire Mairie de Villiers-le-Bel déléguée aux affaires sociales, à la santé et au handicap, Vice Présidente du CCAS)

Sandra da Silva Pereira (Conseillère municipale à Villejuif/Assistante de direction)

Sílvia Gabriel Fernandes (Attachée de recherche clinique)

Susana Alexandra (Photographe auteur)

Tito Livio Santos Mota (Président de Casa Amadis – Assoc. culturelle de langue portugaise de Montpellier)

Victor Pereira (Chercheur/ Historien)

Vitor Rosa (Chercheur/Professeur universitaire)

https://www.change.org/p/citoyens-portugais-ou-d-origine-portugaise-en-france-unis-contre-l-extr%C3%AAme-droite

Nem todos os Portugueses votam… Le Pen!

Artigo de Arthur Porto no seguimento do Manifesto “Portugueses unidos contra a extrema-direita” e o café-debate de dia 26 de Abril 2015 no café Lusofolie’s “De Salazar à extrema-direita contemporânea – Memória(s), Identidade(s) e Resitência(s)”.

Artigo integral “Non, tous les Portugais ne votent pas… Le Pen!

“Manifeste contre l’extrême-droite

Au moment où le 25 avril, au Portugal et partout dans le monde commémorait la révolution des œillets, marquée cette année par les quarante ans de l’indépendance des colonies, en 1975, une initiative diffusée dans les réseaux sociaux est venue alerter la communauté portugaise en France.

C’est une universitaire qui a eu l’idée et pris la décision, d’abord en cercle restreint et ensuite plus largement, de diffuser un manifeste des «Citoyens portugais ou d’origine portugaise résidant en France» contre la monté de l’extrême droite en Europe, et en France.

Chercheuse en Philosophie Politique et Éthique, Enseignante universitaire, Luisa Semedo écrit ainsi que «Nous manifestons notre désaccord avec des propos, des idées ou des actions qui vont à l’encontre des valeurs de la République qui sont la liberté, l’égalité et la fraternité».

Dimanche dernier, avec Victor Pereira (Chercheur/ Historien à l’Université de Pau) un débat a eu lieu autour du fascisme où des migrants des années 60 mais aussi un jeune élu d’origine portugaise, ont rappelé l’origine sociologique de cette immigration, essentiellement rurale. Venus d’un pays de dictature, sans expérience démocratique et toujours pris par la peur du voisin, informateur potentiel de la police fasciste, ne s’autorisaient pas à exprimer une adhésion politique. Il a également été dit qu’en réalité cette population fait partie aujourd’hui des abstentionnistes l’effort de mobilisation étant, disait l’élu municipal de l’Oise, à développer des actions pour informer les jeunes issus de l’immigration.

C”est ainsi, que cette conférence-débat à Lusofolie’s «lieu très investi par les lusophones de Paris et Région Parisienne, sur une base culturelle, conviviale et démocratique», a été comme le lancement public du manifeste qui a déjà recueilli plus de trois cents adhésions. Le patron du lieu, Joâo Heitor a souligné l’importance “historique” de ce manifeste d’une jeune issue de l’immigration. En quelque sorte, son initiative et son engagement rappellent aujourd’hui les combats démocratiques auxquels l’immigration portugaise a participé dans la vie politique et sociale en France depuis les années soixante.” Arthur Porto

https://www.change.org/p/citoyens-portugais-ou-d-origine-portugaise-en-france-unis-contre-l-extreme-droite?