O cidadão, a Presidenta e o Revival Tour

A semana passada, o Bloco de Esquerda lançou mais uma pedrada no charco das consciências progressistas do país, com a proposta de mudar o nome do Cartão do Cidadão para Cartão da Cidadania, por questões ligadas ao género da palavra cidadão.

Tivemos então o prazer de assistir ao “Revival Tour”, um espetáculo de tributo àquelas vedetas que tinham caído em esquecimento e que regressam às luzes da ribalta num show animado e jovial, feito de nostalgias e obscurantismos.

Voltámos a ouvir para o deleite de pequenos e grandes os comentários jocosos antifeministas assim que o clássico “então não há nada mais urgente?”, e assistimos aos já tradicionais e populares malabarismos gramaticais assistidos pelos guardiães da língua.

Uma dessas guardiãs, de sua graça Isabel Casanova, fez um brilharete no “Revival Tour”  com a sua muito aplaudida performance, “Calem-se, por favor, mas de vez!” da qual deixo aqui uns excertos, uns pequenos “amuse-bouches”, (expressão francesa de homenagem a Casanova, “linguista séria”, que confere autoridade à Academie Française para legiferar sobre a Língua Portuguesa):

“E contrariamente ao que já foi publicamente dito, não é verdade que «a língua reflete os valores, usos e costumes da sociedade».”

“Felizmente o bom senso dos portugueses só muito levemente acolheu o delírio da presidenta.”

(Que a ainda Presidenta Dilma Rousseff não a oiça e que se lancem petições no change.org para retirar a delirante palavra dos dicionários!)

conversa-com-a-presidenta dilma rousseff

Para ver o espetáculo gratuito na sua versão integral ide por aqui…

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/controversias/calem-se-por-favor-mas-de-vez/3315

Esta performance de aparência inédita é na realidade número antigo, interpretado com mais ou menos mestria por antecessores seus.  Continue reading O cidadão, a Presidenta e o Revival Tour

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Angola e Portugal: conivências, ingerências e imediatismos

Os quatro partidos de Esquerda representados na Assembleia da República Portuguesa divergiram na votação das duas propostas “de condenação” pelas penas que recaíram sobre os 17 ativistas angolanos apresentadas pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Partido Socialista (PS). Ambas as propostas foram rejeitadas.

A proposta do BE – que contou com o apoio do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), com os votos contra do Partido Comunista Português (PCP) e com a abstenção da esmagadora maioria dos deputados do PS – fazia o apelo “à libertação dos ativistas detidos” e exigia que fossem seguidos “os princípios fundadores do Estado de direito”.

A proposta do PS – rejeitada pelo PCP e apoiada por BE e PEV – lamentava “a situação a que se assiste e que atenta contra princípios elementares da Democracia e dos Estados de Direito, fazendo votos para que ela seja corrigida”.

Feito este introito, vejamos.  Continue reading Angola e Portugal: conivências, ingerências e imediatismos