Não insultem os católicos!

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Não insultem os cristãos e nomeadamente os católicos, maioritários em Portugal, porque eles também têm sentido de humor e sabem fazer piadas, inclusive sobre si próprios.

Não insultem os católicos, eles também acreditam na igualdade de género, apesar de Eva ser um apêndice de Adão, e de a mulher ter um papel subalterno na hierarquia eclesiástica.

Não insultem os católicos, eles também defendem a liberdade da mulher a dispor do seu corpo e estão a favor da legalização do IVG apesar de a Igreja ser contra.

Não insultem os católicos, eles também compreendem a importância do preservativo, e sabem que amar é mais que procriar.

Não insultem os católicos, eles também não discriminam as pessoas baseadas na sua orientação sexual e acreditam que vários tipos de famílias são possíveis, apesar da discriminação defendida pela Instituição.

Ora, amigos ateus, não sejamos mais papistas que Francisco, e deixemo-nos de paternalismos ofensivos à inteligência dos católicos.

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RFI – Expulsão dos migrantes de Calais

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http://pt.rfi.fr/franca/20160225-justica-francesa-autoriza-expulsao-dos-migrantes-de-calais

No Magazine Vida em França analisamos a decisão da justiça francesa dar luz verde para a demolição de parte do campo de refugiados em Calais, norte do país. Segundo as autoridades locais, o despejo afecta entre “800 a 1000” pessoas, as organizações humanitários falam de mais de 3000, entre as quais 300 crianças desacompanhados.

A morte da Europa e a Vida das Comunidades

 

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Warren Richardson, Hope for a New Life (a man passes a baby through the fence at the Ungarian-Serbian border in Röszke, Hungary, 28 August 2015).

 

Hoje, esta Europa morreu. Ou talvez ontem, não sei bem.

Deturpo de forma despudorada o início de “O Estrangeiro” de Camus, para aviventar o facto de que realmente não se sabe muito bem quando esta Europa morreu. Foi-se dissolvendo aos poucos, através de golpes certeiros que a foram dilacerando de forma constante e provavelmente definitiva: desde todo o processo de instituição da Constituição Europeia em 2005 ao Tratado de Lisboa de 2007, apesar de votos de rejeição democráticos,  ao tratamento inigualitário entre países da União em que uns decidem do conteúdo dos menus, outros escolhem o prato que lhes convêm e outros são obrigados a comer os restos, com a acrescida incumbência de lavar a loiça suja comum.

 A União Europeia sonhada transformou-se num regime antidemocrático que assenta num sistema que já deu as suas provas, um sistema construído por elites para elites, a partir das quais, e nomeadamente em momentos de crise, os seus interesses são salvaguardados. Um sistema de tal forma complexo que os pobres cidadãos que somos nem sequer o ousam meter em causa ou contestar, não compreendendo muito bem qual a nossa margem de manobra. Estamos assim perante um regime sem alma nem pudor, alicerçado num sistema que nos faz sentir estúpidos e impotentes. É uma União esquizofrénica e perversa que esmaga os povos, que nega solidariedade, que fecha fronteiras, que fomenta guerras, que as abastece, que faz negócio e lucro com as mesmas e que depois vira a cara para o lado apontando o dedo a bodes expiatórios.

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