Ser ou não ser engraçadinha(o)

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Vamos aos factos :

­‒ No domingo dia 24 de janeiro, o candidato apoiado pela direita, Marcelo Rebelo de Sousa saiu vitorioso das eleições presidenciais.

‒ Nesse mesmo dia a candidata Marisa Matias, apoiada pelo Bloco de Esquerda, teve mais do dobro dos votos do candidato Edgar Silva apoiado pelo PCP.

­‒ Nessa noite o Bloco de Esquerda preferiu ver o copo meio cheio e escapou-lhe que a vitória estava do lado da direita e que os Portugueses não iam ser presididos pelos tão aplaudidos 10% da Marisa mas pelos 52% do Marcelo.

‒ Nessa mesma noite Jerónimo de Sousa, nervoso com os maus resultados, disse as seguinte frases :

«Nós podíamos apresentar um candidato ou uma candidata assim mais engraçadinha, portanto, enfim, com um discurso ajeitadamente populista, que pudesse aumentar o número de votos. São opções e eu não quero criticá-las. Aquilo que caracteriza, portanto, este partido defensor dos interesses dos trabalhadores e do nosso povo, nesta coisa não somos capazes de mudar. (Ouvir aqui) »

‒ Entretanto as frases do Jerónimo sofreram severas medidas de austeridade, na ordem dos 80%, e passaram a ser citadas da seguinte forma :

« Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar. »

Os ânimos exaltaram-se, a vistas cegaram e o Secretário Geral do Partido Comunista Português, entre outros nomes bonitos foi insultado de velho-xexé por parte de Elizabete Azevedo-Harman.

­          Se examinarmos as frases de Jerónimo de Sousa com atenção, que verdade se diga foram infelizes, admitido pelo próprio, elas não são sexistas, porque Jerónimo cita claramente os dois géneros, mas este episódio levanta pelo menos duas outras questões:

1. Os ataques partidários tradicionais do PCP e do BE bipolarisaram-se (ex. Líbia, Angola, Coreia do Norte…), o fim do governo do PSD-CDS e a convergência com o PS, da qual nenhum dos dois quer ter o ónus da desfeita, deixaram um espaço vazio de « alívio de tensão ». Marcelo acabou de chegar à presidência, e ainda nem tomou posse, e à parte guiar sem cinto de segurança e estacionar num lugar para deficientes ainda nada fez que lhe valha a concomitância dos ataques. Ao Cavaco deu-lhe para o canto do cisne sinistro de veto à lei da adoção por casais do mesmo sexo e à lei do aborto, mas que já sabemos não terá impacto na validação final das mesmas. O PCP e o BE viraram-se então um contra o outro, falta de adversário à mão, para mal das esquerdas.

2. A outra questão é a da importância da forma ou do físico em detrimento do conteúdo, do discurso e da acção política. Jerónimo de Sousa tem razão em colocar a questão, mesmo se de forma desengonçada:

Será possível ser um líder político, ganhar votos, sem ser « engraçado »?

O Tino de Rans responde à adjectivação, fez rir e teve muitos votantes por ser engraçadinho. As mulheres do BE são engraçadinhas mas de um outro estilo, é verdade que são giras e fotogénicas, e pintam-se e vão ao cabeleireiro, aos saldos e tal, mas se fossem só engraçadinhas não poriam o PCP tão nervoso.

Há que não esquecer que a política [também] é um show mediático. O político, herói da pátria e do enredo tem de realizar certas acrobacias para obter os aplausos do público. Ora ser engraçadinho tem as suas vantagens. A teatralidade política requer muitas vezes estas manobras de diversão e divertimento. O político ao criar emoção no público, terá seguidores, fãs que lhe vão encher as salas de espectáculo e que vão recomendar o show aos amigos. Não se falam de ideias mas de pessoas. A política personificou-se e isso é ainda mais válido numa eleição presidencial.

A questão que se põe aqui é a seguinte:  até onde o PCP está disposto a comprometer-se para ter influência, para ganhar votos, para não perder fãs? Para que os seus ideais tenham repercussões na sociedade? Vai fazer finca pé, resistir, defender um virgindade mediática até quando? Há fins que justificam certos meios?

Jerónimo de Sousa colocou uma questão essencial sobre a política contemporânea, a sua resposta deixou a desejar mas ele está longe de ser um velho-xexé.

 

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1 comentário a “Ser ou não ser engraçadinha(o)”

  1. Divisôes no PCP para onde fugiram os votos? Foi o Edgar? OU o voto util A direcçâo du Comité Central têm uma resposta para o desaire das presidenciais, os unicos distritos onde Sampaio da Novoa e Belém seguram o resultado sâo precisamente os bastiôes Comunistes de Setubal, Evora, e Beja o que indicia que os votantes tradicionais do PCP terâo ajudado ao resultado de Sampaio da Novoa, muita gente votou Sampaio da Novoa convencida que assim o iria levar à segunda volta, pelo sim,pelo nâo vamos votar jà no Sampaio da Novoa no total o PCP Perdeu nestas eleiçôes em relaçâo às legislativas de hà quatro meses, mais de 250 mil votos, em relaçâo às ultimas presidenciais perdeu quase 120 mil. Francisco Lopes teve na altura 300 mil votos e 7,1% é verdade o PCP consegue sempre menos adesâo nas presidenciais do que nas legislativas, sendo certo que o melhor candidato que jà teve foi sem duvida Carlos Carvalhas! este resultado fala por si e cria embaraços politicos e financeiros o PCP podia ter apoiado com extrema facilidade Sampaio da Novoa como pelos vistos, uma boa parte do seu eleitorado fez, o PCP preferiu medir forças e segurar eleitorado. Nâo conseguiu nem uma coisa nem outra e ficou com um problema,Agora so resta dar aos seus Militantes, uma nota explicativa desta derrota o pior resultado de sempre, o PCP nâo deve ficar traumatizado!!!

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