Não digam que não sabiam

Os média andam em alvoroço porque o fascista-entertainer-milionário Donald Trump fez a proposta indecente de proibir a entrada de muçulmanos nos EUA.

« Chez nous » também temos direito a estes belos cartazes do FN nas ruas e túneis de França, mas as reacções não são tão comovidas.

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Sarkozy afirmou até que não havia nada de imoral em votar FN. E não faz a distinção entre um partido republicano como o PS e um neo-fascista como o FN e faz ainda, como muitos outros, a amálgama grotesca e grosseira entre a extrema-esquerda, que sabemos defende o cosmopolitismo, e a extrema-direita que o abomina.

Ora,

Basta de desculpabilizar os eleitores do FN!

Basta de dizer que é um voto de protesto!

Basta de dizer que são pessoas desnorteadas e outros qualificativos paterno-relativistas!

Querem protestar votem no PG, no PCF, no NPA, nos Verdes, no Modem, no PRG, no Nouvelle Donne, no Parti Pirate, votem em branco ou abstenham-se e não digam que não sabiam que estavam a votar num partido racista e fascista.

Apesar da campanha de cosmética das Le Pen filha e sobrinha, a verdadeira natureza está à mostra e é assumida!

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Paris recusa o Front National

12359986_940862652663121_3284487004398437571_nOs eleitores de Paris, principal cidade visada pelos atentados terroristas, não deram mais de 9,65% dos votos ao partido da extrema-direita.

Ou seja, as grandes vítimas do terrorismo não foram na conversa miserável do clã Le Pen. Conversa assente no Ódio a tudo que é diferente e minoritário: Islão, estrangeiros, imigrantes, homossexuais, amantes de curling e pólo aquático…

Isto só prova que as sociedades (como a parisiense) profundamente multiculturais, multiétnicas, multirreligiosas e livres de preconceitos e constrangimentos morais são as grandes barreiras perante o caudal do obscurantismo fascizante do FN, UKIP e outros.

A civilização moderna e cosmopolita – apesar das crises do terrorismo, Austeridade, desemprego e precariedade – não aceita o FN. Elementar.

La déchéance d’identité française

Le FN fait semblant de ne pas être néo-nazi!

Les Républicains font semblant d’être républicains!

Le PS fait semblant d’être de gauche!

Les seuls qui s’en sortent avec cette déchéance c’est le FN puisque la feinte et le mensonge font partie de leur vraie nature!

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Le jour où les autres partis se décideront enfin à retrouver leur vraie identité historique peut-être que le FN ne gagnera plus avec c(s)es déchéances!

Au contraire des pseudo-Républicains, le PS démontre qu’il est un parti républicain en faisant barrage à l’extrême droite, mais ce sera avec des vraies politiques sociales de gauche que le barrage sera le plus efficace!

Allez les Socialistes français, regardez vers le Portugal et travaillez aussi pour la convergence des Gauches françaises.

Une solution qui aurait fait gagner 10 des 13 régions de la métropole à la Gauche!

As Tristes Figuras

Se se quer pôr à prova o caráter de um homem dê-se-lhe o poder, dizia o Lincoln! Neste caso tire-se-lhe o poder e vemos o caráter do homem  não-democrata desfazer-se como o sal na água.

As declarações de maus perdedores de Portas, Passos, Correia & Co, são não somente pueris, como roçam o brejeiro, e demonstram o profundo desrespeito pelo Parlamento, pela Constituição e pela Democracia. Nada de novo, poderíamos dizer, mas na derrota, esta agitação para deixar a cabeça à tona de água, torna-se ainda mais patética e burlesca, transformando em nós, espetadores do Circo, o sentimento de indignação em sentimento de vergonha alheia e de pena pelas Tristes Figuras.

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O caráter degradante e degradado das Tristes Figuras ainda mais sobressai face às forças de Esquerda que estão numa dinâmica de trabalho sério e responsável.

O exercício do poder conferido, no respeito da Constituição e da Democracia, à Esquerda  já provou, em poucos dias, o seu caráter progressista e voluntarista em favor do povo.

Tire-se o poder aos não-democratas e o caráter, se esse existia, também se esvanece.

Islamofobia e “Estado Islâmico”: o fruto e a força da mesma ignorância

gghghConfundir e correlacionar as ações sanguinárias do autodenominado “Estado Islâmico” com o conjunto dos seguidores da fé muçulmana tornou-se o desporto preferido das franjas mais reacionárias e cavernícolas das sociedades Ocidentais. Essa boçalidade tem sido por demais visível nos debates para as eleições primárias dos EUA entre os candidatos republicanos (conservadores), embora esse não seja o único palco para tão ignóbil exercício.

Felizmente, por enquanto, essas opiniões ainda perfazem uma minoria, que, todavia, a crise socioeconómica e os promotores da Austeridade poderão reforçar na sua busca incessante por um bode expiatório. E, dirão os apoiantes do Front National, quem melhor prestará esse serviço de expiação do que os muçulmanos que vivem entre nós. O perigo de um Pogrom moderno é, portanto, algo que não é de descartar.

Dizer que algo tão complexo e diversificado como a civilização muçulmana – que se estende dos confins da África Ocidental ao Cazaquistão, de Marrocos a Singapura – se resume aos atos perpetrados por alguns milhares (existem 1,6 mil milhões de muçulmanos, cerca de 22% da população terrestre) de extremistas que usam o Islão como fachada para a sua política expansionista é, e ponderei bastante se deveria usar esta palavra, estúpido. Isso equivale a dizer que os extremistas cristãos do Klu Klux Klan – que queimavam e enforcavam afroamericanos nos EUA dos anos 50 do século XX – são um grupo representativo dos 2,2 mil milhões de cristãos que existem no mundo.

Mais estúpido se torna ainda quando esse discurso sai da boca de cidadãos portugueses, visto que uma boa parte da cultura lusófona – basta pensar no Fado ou na língua que une falantes em cinco continentes – assenta num dos alicerces da História de Portugal: a presença da civilização islâmica no nosso território ao longo de 500 anos e, depois do século XIII, a permanente interação entre Portugal e o mundo muçulmano.

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