Uma mãe despedaçada

Um governo de Esquerda chegou enfim ao poder em Portugal! É justificado termos  confiança e esperança nos novos tempos que aí vêm, mas há cicatrizes que vão ficar na carne daqueles que viveram estes tempos insanos de crise e de além-troika ideológica.

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Este « recado » é o espelho de uma bela cadeia de solidariedade, a demonstração de uma sensibilidade e consciência social, primeiro por parte daquele que, indignado, partilhou este recado – que lhe foi destinado – e depois de todos aqueles que o partilharam nas redes sociais e ofereceram ajuda.  Mas é sobretudo o espelho da miséria, da indignidade, da falta de humanidade a que Portugal chegou.

Se tomamos como exemplo uma criança que em 2011 tinha 6 anos e começou o ensino primário, essa mesma criança tem agora 10 anos. Os estragos que foram, entretanto, feitos à escolaridade, à autoestima, à saúde destas crianças neste hiato de tempo, não vão ser totalmente reparados com as políticas de esquerda que esperamos ver postas em prática. Vamos poder prever que estes estragos não aconteçam a outros, vamos poder limitá-los, mas há cicatrizes que vão permanecer indeléveis e que vão condicionar a existência destas crianças.

Se houvesse uma só razão para lutarmos pelo fim do poder desta Direita que nos des-governou seria esta, a pobreza infantil que aumentou de forma vergonhosa no nosso país. O índice de pobreza infantil é « (…) um dos indicadores mais relevantes para qualquer sociedade, pois é um meio para aferir o modo como os governos estão a assegurar o bem-estar das camadas mais vulneráveis e é também um indicador do bem-estar da sociedade no seu todo”. * »

O aumento da pobreza infantil é uma urgência, esta situação indigna deveria ser considerada estado de catástrofe social ou causa nacional. « As crianças são o nosso futuro » é mais que a letra de uma canção consensual, é um facto irrefutável. As gerações que formamos, que construimos agora são o que Portugal será amanhã.

Se houvesse uma só razão para lutarmos pelo fim e pelo não retorno ao poder desta Direita…

 

* Madalena Marçal Grilo, Directora Executiva do Comité Português para a UNICEF

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